Neokantismo na Geografia

Texto desenvolvido tendo como base a dissertação de mestrado de Marco de Souza Paes ” Liberdade e natureza: o problema da causalidade nas críticas de Kant e sua influência na geografia alemã neokantiana.”

O texto de PAES (2008) traz debates acerca dos desdobramentos da proposta de Kant. Para isto, ele aponta a importância de duas escolas germânicas de pensamento neokantistas que serviram de base para o desenvolvimento dessa tendência em âmbito geográfico: as escolas de Marbug e a de Baden.

ESCOLA DE MARBUG

A escola de Marbug teve como representantes principais Herman Cohen (1842-1918), Paul Natorp (1854- 1924) e Ernt Cassirer. Seus pensamentos estão baseados na influência antiidealista de Kant, derivando daí a fundamentação crítica de uma nova metafísica sobre a base da razão prática. Cassirer, segundo PAES (2008), organiza o conceito de “forma” de maneira sistemática, através dos conceitos de matéria, a etnologia e história, produzindo relevantes contribuições ao debate sobre espaço. A unidade da escola de Marbug, no entanto, foram ameaçadas por graves crises científicas e morais.

ESCOLA DE BADEN

A escola de Baden tem como principal expoente Heinrich Rickert, além de Wilhelm Windelband, Emil Lask, B. Bauch, J. Cohn. Rickert, se baseando nas reflexões de Windelband, destacará a diferença metodológica entre as ciências da cultura e da natureza, chamando a atenção para o significado constitutivo dos valores.

WEBER E O DUALISMO: CULTURA X NATUREZA

Escultura em minério de Esmeralda retirada na Exposição de Minerais e Rochas Orville Derby (Mineropar). Essa exposição foi inaugurada em 14 de dezembro de 2010, e nela são expostos exemplares de grande importância com várias famílias de minerais. Foto: LIMA, 2012

Escultura em minério de Esmeralda retirada na Exposição de Minerais e Rochas Orville Derby (Mineropar).  Foto: LIMA, 2012

Dessa maneira PAES (2008) procura expor que o debate ocorrido no século XIX na Alemanha, em torno da causalidade e dualismo ciências da cultura X ciências naturais. O primeiro autor que procurou traçar de maneira metodológica este dualismo foi Rickert. No entanto as dificuldades de se esclarecer este dualismo perduraram por longo tempo, vindo com Max Weber a ter uma proposta que perdura até os dias atuais.

Para Weber é necessário uma unificação dos princípios metodológicos a partir de tipos opostos de ciências. Para ele, as ciências natural e cultural precisariam dosar de modo equilibrado os “modos de procedimento heterogêneo, as metas e os seus pressupostos”. As teorias sociais para Weber têm por finalidade permitir a geração de suposições que auxiliem a explicação dos fenômenos estudados. Esse pensamento tem por base a compreensão de que os fenômenos sociais são passiveis de explicação a partir do entendimento de suas intencionalidades e motivações. Segundo ele, pela compreensão da intenção, pode-se chegar a uma explicação empiricamente pertinente, quando o fim fornece uma explicação para a ação. Conforme apontado por Habermas In: PAES (2008), para Weber as ciências sociais seriam uma espécie de ciências naturais do agir social.

Em seu texto PAES (2008) trabalha mais sob a perspectiva Weberiana, afirmando que a mesma seria a teoria social mais adequada para a geografia social. Nesta defesa ele cita Benno Werlen que defende que a ciência social deve ter como finalidade “os esclarecimentos causais do modelo de difusão e associação na superfície terrestre no ramo das ações humanas (PAES , 2008, p. 172). Werlen afirma que Humbold e Ritter foram os responsáveis pela institucionalização da geografia em nível acadêmico, no entanto foram, Alfred Retter e Ratzel quem formularam os objetivos científicos e proporam uma sistematização da geografia Científica.

NEOKANTISMO DO SÉCULO XIX 

O autor defende que o medo de “andar em círculos no pensamento científico” e a multiplicidade de temáticas foram o combustível para o surgimento e fortalecimento do Neokantismo no século XIX, onde “através das ciências naturais monotéticas e das ciências humanas Idiográficas” nasceram as ciências da Natureza e ciência da Cultura.

Ao fim de seu texto o autor busca destacar que utilizar o pensamento de Kant a respeito de uma complementaridade entre a causalidade do homem (finalidade) e uma causalidade natural é insustentável, pois nós não temos capacidade de compreender as finalidades do mundo ou de todas as coisas que ali existem. Enfim nem tudo e carregado de intenções e passível de ser compreendido a partir delas, a complexidade existente no mundo exige uma maior abertura a outras possibilidades de pensamento.

 FINALIZANDO

           O trecho utilizado relatou sobre os desdobramentos da proposta Neokantiana nas ciências sociais e naturais, dando um enfoque aos conhecimentos geográficos. Ao fim de seu texto PAES (2008) reforça que apesar da importância desse modo de pensamento na formulação de teorias em âmbito geográfico, elas não servem mais de ferramenta para embasar pesquisas geográficas. Talvez por isso muitos autores posteriores a Kant defendem a necessidade de ir além do pensamento do autor, procurando adaptar a pesquisa/estudo à realidade vigente.

REFERÊNCIAS

COSTA, Fábio Rodrigues da; ROCHA, Márcio Mendes. Geografia: Conceitos e Paradigmas – Apontamentos Preliminares. Revista GEOMAE, v. 1 n. 2. 2010. p. 25-56.

PAES, Marco de Souza. Liberdade e natureza: o problema da causalidade nas críticas de Kant e sua influência na geografia alemã neokantiana. Dissertação (Mestrado) – Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Instituto de Geografia. , 2008. P.158-180.

 SANTOS, Renan Gauthier Cardoso dos. Nota: O Espaço em Kant e suas Influências na Definição do Conceito de Região em Alfred Hettner e Richard Hartshorne. Estudos Geográficos, Rio Claro, 7(1): 183-190, 2009.

 

3 comentários sobre “Neokantismo na Geografia

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