Análises urbanas: O caso dos Shopping Centers

Os Shopping Centers não são figuras que surgem do acaso, eles são resultados de transformações ocorridas na sociedade. Isso de certa forma pode explicar por que não existe nenhum Shopping Center, propriamente dito, na região da Comcam. Em Maringá, porém a realidade é diferente, e, esta possibilita a implementação e sucesso destes empreendimentos. Em nossa aula de campo foram visitados dois shopping centers. Cada qual com sua estrutura*. O Shopping Aspen Park (Av. São Paulo, 120 ) e o Avenida Center(Av. Mauá, 3094 esq. c/ Av. São Paulo).  O Avenida Center foi o  primeiro shopping de Maringá. Inaugurado em 18.11.1989 e ampliado em 1999, tendo como área 24061,46m². Oferece 05 salas de cinema, praça de diversões eletrônicas, boliche e bingo. O Aspen Park Shopping Center Maringá foi inaugurado em 24/04/96 e está situado em zona central da cidade. Conta com 5 salas de cinema, mais de 100 lojas distribuídas em 4 pisos e 3 pavimentos para estacionamento de 482 veículos. Um Trade Center e Centro de Convenções com capacidade para 720 pessoas.

Localização dos Shopping Centers visitados. Adaptado de: Google Maps, 2009.

O shopping não é apenas centro de consumo, mas também de ideologias, valores, paradigmas sócio- culturais, de lazer. GIL (2006) o shopping Center é o lugar onde tudo é feito para incentivar o consumo e, a própria estrutura incentiva as pessoas a fazerem aquela visita descompromissada. A idéia básica de um Shopping Center é recriar a cidade dentro deste espaço, buscando reproduzir as práticas sociais urbanas.  Neste pode-se observar que os Shopping Centers são uma espécie moderna do que era antes os Paços do mercado, as galerias, as ágoras, a pequena loja, etc., enfim uma cidade do consumo, onde se reúne os fragmentos comerciais e se forma um complexo centro de consumo capitalista. Porém o que se pode observar é que estes espaços não são centros muito democráticos, já que seguem o que GIL (2006) chama de tendência pós – moderna do capitalismo. E como ela mesmo define estes apresentam-se, de certa forma, como espaços segregacionais.

Outro ponto a se destacar em um Shopping Center é a presença de estacionamentos que buscam dar a idéia de acessibilidade e dão uma segurança maior a seus usuários. É como afirma Ana  Helena C. F. Gil  ao se referir a estrutura de um Shopping Center como um todo, este que se apresenta com a preocupação de se transmitir a imagem de segurança e qualidade.

Concluindo – A partir das observações teóricas realizadas, pode-se ver  sua aplicabilidade a estas mini cidades do consumo – Aspen Park e Avenida Center- que transmitem a idéia de locais seguros, bastante organizados, com ampla acessibilidade, locais onde o tempo pára ( até pelo fato de inexistência de janelas e relógios nestes espaços), lugares aclimatizados, e que buscam transmitir o desejo de consumo e , de certa forma, produzem valores e estéticas, atitudes e comportamentos.


[1] Marketing define cada tijolo das grandes obras. Jornal da Tarde, 1° Caderno, 02.08.90, p. 27. In: BIENENSTEIN, Glauco. Shopping Center: O Fenômeno e sua Essência Capitalista. Revista GEOgraphia, Vol. 3, No 6 (2001). Disponível em: http://www.uff.br/geographia/ojs/ind ex.php/geographia/article/view/66/64 acesso em 25 nov. 2009.

*1 Os dados referentes às características dos Shopping Centers em questão podem ser diferentes da realidade atual, haja visto que os dados coletados para esta análise são referentes ao segundo semestre de 2009.

*2 Escrito originalmente por Jonas H. M. de Lima e Tiago A. M. Mendes em 2009.

Referências consultadas:

CORRÊA, Roberto Lobato. O espaço urbano. Ática, 1989.

Como andam Curitiba e Maringá / organizadoras Rosa Moura, Ana Lúcia Rodrigues. – Rio de  Janeiro: Letra Capital: Observatório das Metrópoles, 2009. Disponível em: <http://www.observatoriodasmetropoles.ufrj.br/Vol7_como_andam_curitiba_maringa.pdf> acesso em 27 nov. 2009.

GIL,  Ana Helena C. F. O shopping Center como estruturação dos desejos. In: Colóquio Nacional do Núcleo de Estudos em Espaço e Representações (1.: 2006 : Curitiba,PR) Espaço e representações: construções teóricas do geográfico; Anais, Edição do NEER Geografia/UFPR, Curitiba, v. 1, n. 1, 2007. 1CD-ROOM.

GRZEGORCZYK, Vanderlei. Novo centro de Maringá: estratégias e conflitos na produção do espaço urbano. In: MENDES, Cesar Miranda & SCHMIDT, Lizandro Pezzi (org.) A dinâmica do espaço urbano regional: pesquisas no norte- central paranaense., Guarapuava, UNICENTRO, 2006.

2 comentários sobre “Análises urbanas: O caso dos Shopping Centers

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s