A Fenomenologia na Geografia

Segundo Nogueira (2007), o caráter fenomenológico esteve presente, mesmo que timidamente no decurso histórico de Geografia desde a Antiguidade com os gregos, passando pelos clássicos da sistematização da Geografia vindo a ganhar destaque com a efervescência pela busca de novos paradigmas na segunda metade do século XX.
Nogueira afirma ainda que, de início, estas pesquisas se resumem em entender certas formas de percepção do meio ambiente e sua significação geográfica, passando posteriormente a demonstrar como o espaço era sentido e como era dividido. Ainda segundo a autora, com os diálogos das escolas deterministas e possibilitas os debates de percepção começaram a ganhar maior destaque. Não menosprezando a influência francesa os melhores avanços na perspectiva fenomenológica ocorreram nos países anglo-saxões que a valorizavam como sendo uma “contra-proposta” às perspectivas da “revolução qualitativa”.
Cabe uma ressalva à diferença entre a Geografia da Percepção [Nogueira (2007) traz-nos outros nomes como Geopsicologia, Geosofia, etc, estes interpretamos como desdobramentos dessa proposta] e às perspectivas fenomenológicas. Ao se avaliar a relação homem X meio com “olhares positivistas” se estabelece uma relação causal entre a percepção e o mundo real tendo nossos comportamentos definidos pela maneira como percebemos a realidade. Sendo que dessa forma o conhecimento produzido pela relação vivida é simplesmente ignorado. O que diferencia basicamente as novas teorias fenomenológicas do pós renovação geográfica é justamente essa ligação com filosofias orientadas a prática humanista, não aceitando um mundo objetivo independente da existência humana.

Fenomenologia
Foto: LIMA, B. E. de, 2011.

A mesma interpretação acaba não ocorrendo em CORREA (2006) que incorpora a Geografia com base fenomenológica como sendo um  desdobramento da perspectiva da Geografia da percepção. Segundo ele, a Geografia da Percepção faz  parte de uma escola de pensamento com bases inspiradas no kantismo e positivismo e têm alguns de seus integrantes altamente comprometidos com um “humanismo subjetivista”. Ainda segundo o mesmo autor, os geógrafos radicais, sobretudo os Neomarxistas, combatem essa perspectiva, “alegando que ela foge da análise da realidade e conduz a reflexão a teorias alienadas e comprometidas com o psicologismo” (p. 183), dificultando qualquer ação social. Tal fato, ao nosso entendimento, é contraposto [com relação ao emprego do Neopositivismo] na perspectiva fenomenológica ao se trazer o conceito de “intencionalidade” que pressupõe que todo problema de consciência é intencional, não existindo uma consciência pura, separada do mundo real (Camargo & Elesbão, 2004, p. 9).

Esse aprisionamento no subjetivismo é apontado por uma série de Geógrafos.  Nogueira (2007) tece  uma crítica no sentido de que a geografia ao absorver a discussão da psicologia, priorizaria a mente e acabaria por omitir a realidade dada através da experimentação, da convivência entre homem e o lugar. ANDRADE (2006) tece uma crítica interessante ao afirmar que a Geografia da Percepção [acreditamos poder incluir nessa proposição também a fundamentada na fenomenologia], “apesar de encontrar divergências internas, encontra-se em ascensão, isto por que ela não contesta a ordem estabelecida e transfere ao individual, ao pessoal, muitos problemas considerados por outros grupos como sociais,” (p. 184) não sendo contestatória à ordem dominante.

 REFERÊNCIAS
Albuquerque, Isabela Santos; Lage, Creuza Santos. A PERCEPÇÃO AMBIENTAL APLICADA À ANÁLISE DE AÇÕES DE  PLANEJAMENTO URBANO. Anais do X Encontro de Geógrafos da América Latina – 20 a 26 de março de 2005 – Universidade de São Paulo. Disponível em: <LINK> Acesso em: 02 nov. 2011
ANDRADE, Manuel Correia de. Geografia: Ciência da sociedade. Recife: Ed. Universitária da UFPE, 2006 (1987).
CAMARGO, José Carlos Godoy. ELESBÃO, Ivo. O Problema do Método nas Ciências Humanas: O Caso Da Geografia. Mercator – Revista de Geografia da UFC, ano 03, número 06, 2004. Disponível em: <LINK> Acesso em: 01 nov. 2011
GARNICA, A. V. M. Algumas notas sobre Pesquisa Qualitativa e Fenomenologia. Interface — Comunicação, Saúde, Educação, v.1, n.1,  1997. Disponível em:<LINK> Acesso em 02 nov. 2011.
Kunz,  Elenor. Esporte: uma abordagem com a fenomenologia. Movimento – Ano VI – Nº 12 – 2000/1 Disponível em: <LINK> Acesso em 02 nov. 2011.
LIMA, Beatriz Furtado. Alguns apontamentos sobre a origem das psicoterapias fenomenológico-existenciais. Rev. abordagem gestalt. [online]. 2008, vol.14, n.1, pp. 28-38. ISSN 1809-6867. Disponível em: <LINK> Acesso em 02 nov. 2011.
Nogueira, Amélia Regina Batista.  Abordagem fenomenológica da percepção e representação na Geografia. 11º ENCUENTRO DE GEÓGRAFOS DE AMERICA LATINA. Ano 2007. Disponível em:<LINK> Acesso em: 01 nov. 2011

Postado por: Bruna Elisa

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