Realizando análise morfológica dos solos – Em campo

Chegamos a parte mais interessante da proposta de análise morfológica dos solos: a atividade prática. Para a preparação da aula de campo o professor Victor solicitou para que nós trouxéssemos algumas ferramentas.  Assim sendo, por e-mail, foi pedido às equipes: martelo Pedológico, trado, pá reta, pá quadrada, facão, faca, trena (5m), Lente de mão (10 x), ímã, picareta e prancheta com papel e lápis. Além disso, cada equipe deveria providenciar duas sacolas de plástico para coleta de solo. Para uso pessoal foi solicitado: protetor solar ou sombreiro, água, material para higiene pessoal, calçado fechado (velho) e lanche, pois não haveria intervalo para almoço. Saímos aproximadamente às 8 horas da manhã do dia 30 de outubro de 2010 em frente à FECILCAM, de onde fomos em direção à rodovia saída para Maringá. O transporte foi fornecido pela faculdade. Num primeiro momento paramos em frente a um barranco próximo ao KM 360 da BR-369.

Foto 1 – Fotografia do barranco próximo ao Km 360 da BR 369 com direção à Maringá. Foto LIMA, 2011.

Alguns metros a frente, nos direcionamos para um grande brejo para coletar um pouco de solo. Durante a coleta nosso companheiro de sala (Guilherme) acabou afundando no brejo e coletou um pouco de solo úmido. Além dele, o Junior Kurman também realizou uma coleta próximo ao barranco do brejo.

Saindo dessa localidade fomos em direção à estação Climatológica Principal de Campo Mourão. Ao chegarmos à estação iniciou-se uma mudança no tempo: chuva. Por esse motivo aguardamos por um tempo na estação climatológica até que a chuva passasse. Até as 09h00minh daquele dia a pluviosidade era de 27,3 mm e a taxa de umidade encontrava-se na faixa de 94 %. Nesse horário a temperatura era de 18,2 ºC e a direção do vento, segundo o anemógrafo da estação era na direção sul.

Estação Climatológica Principal de Campo Mourão- área próxima ao local da trincheira. Foto: LIMA, 2011.

Na primeira estiada iniciamos a escavação da trincheira. A trincheira deveria medir 1m largura por 2 m de comprimento e 2 de profundidade para que pudéssemos analisar dois perfis do solo. Durante a chegada ao terreno da estação climatológica, o local escolhido para escavação apresentava muitos entulhos dificultando a construção da trincheira. Em decorrência disso o professor e grande parte dos alunos acharam melhor escolher outro lugar para escavação, onde pudessem encontrar um solo mais limpo (Foto3 e 4). Antes de iniciar a escavação, em ambas as vezes, inicialmente foi retirada vegetação que se encontrava na parte mais superior e, posteriormente delimitada as fronteiras  da trincheira.

Foto 3- Trincheira aberta. FOTO: LIMA, 2011.

Na escavação da trincheira diversas ferramentas acabaram por não agüentar até o fim. A picareta foi um exemplo disso, ela quebrou na segunda ou terceira utilização. Também quebraram-se cabos de enxadões e enxada. A trincheira acabou por não ser escavada aos moldes estabelecidos pelo professor, pois acabou não atingindo nem 2 m de profundidade. Com o fim da escavação foi feita a coleta do perfil de solo A e B. Nesta, Leandro e Guilherme coletaram para cada equipe, aproximadamente 1 kg de amostra de solo de cada perfil.

Ao término da escavação o professor destacou alguns pontos. Segundo ele a divisa entre o horizonte A e o Horizonte B  media aproximadamente a distância de uma lima em relação a superfície. Ou seja, da superfície em direção ao fundo da trincheira o horizonte A cobria uma faixa de aproximadamente 23 cm. Após essa faixa delimitamos como horizonte B pois suas características são diferentes. Naquele dia não era possível a visualização com a lupa em decorrência da intensa chuva que encharcou o solo, mas se fosse um dia propício veríamos uma estrutura bastante diferenciada em relação ao horizonte A. A estrutura do horizonte A só de olhar, era possível averiguar que existia muito mais grãozinho na microestrutura do que a estrutura do que o horizonte B que se mostrava muito mais homogêneo.

Depois destas explicações iniciais o professor pediu para que todas as equipes realizassem coleta de amostras do solo. Para esta coleta foi seguido aquilo que já comentamos no primeiro subtítulo, primeiro coletou-se amostra do horizonte B e, posteriormente do horizonte A, para evitar a contaminação (no sentido de não atrapalhar nas análises independentes de cada horizonte) entre os horizontes.

As amostras deveriam ser levadas para a casa de um integrante do grupo  para a secagem. Como procedimento para a secagem da amostra foi sugerido que era necessária bandejas ou lona plástica e levada ao Sol até que visualmente estivesse seca. Uma amostra (300g. aproximadamente) deveria  ser embalada em uma sacola menor fechada energicamente para se determinar a umidade em laboratório.

Nas aulas posteriores realizamos a análise dos perfis do solo seguindo uma proposta de professores da UFPR. Mas isso merece outro post.

VEJA TAMBÉM: Todos os textos relacionados a este post.

REFERÊNCIAS

 ANDRADE, Áurea Andrade Viana De. Vilas rurais da Microrregião Geográfica de Campo Mourão.Disponível em: <www.pge.uem.br/novo/teses/pdf/aavandrade.pdf> Acesso em: 26 nov.2010.

COLAVITE, Ana Paula . Geotecnologias aplicadas a análise da paisagem na Bacia Hidrográfica do Rio do Campo, Paraná-Brasil Disponível em: <http://egal2009.easyplanners.info/> Acesso em: 26 nov.2010.

GUERRA, A. J. T.; SILVA, A. S. da & BOTELHO, R. G. M. Erosão e Conservação dos Solos: Conceitos, Temas e Aplicações. 2 ª Ed.  Rio de Janeiro: Bertand Brasil, 2005.

 LEPSCH, Igo F. Solos: Formação e Conservação. 5 ed. São Paulo: Melhoramentos, 1993.

LEPSCH, Igo F. Formação e Conservação dos Solos.  São Paulo: Oficina de Textos, 2002.

LIMA, Marcelo Ricardo de. Experimentoteca de solos: consistência do solo. Experimentoteca de Solos – Projeto Solo na Escola – Departamento de Solos e Engenharia Agrícola da UFPR, 2005. Disponível em: <http://www.escola.agrarias.ufpr.br> Acesso em: 19 nov. 2010.

LIMA, Marcelo Ricardo de & YOSHIOKA,  Maria Harumi.  Experimentoteca de solos:  porosidade do solo. Experimentoteca de Solos – Projeto Solo na Escola – Departamento de Solos e Engenharia Agrícola da UFPR, 2005. Disponível em: <http://www.escola.agrarias.ufpr.br> Acesso em: 19 nov. 2010.

LIMA, Marcelo Ricardo de & YOSHIOKA, Maria Harumi. Experimentoteca de solos: retenção da água pelo solo.Experimentoteca de Solos – Projeto Solo na Escola – Departamento de Solos e Engenharia Agrícola da UFPR, 2005. Disponível em: <http://www.escola.agrarias.ufpr.br> Acesso em: 19 nov. 2010.

MASSOQUIM, Nair Gloria. Clima e paisagem da mesorregião centro-ocidental paranaense. Disponível em: <http://www.teses.usp.br/teses /disponiveis/8/8135/tde-18112010-101321/es.php> Acesso em: 26 nov.2010.

YOSHIOKA, M.H., LIMA, M.R. de. Experimentoteca de solos: infiltração e retenção da água no solo.Arquivos da APADEC, Maringá, v. 8, n. 1, p. 63-66, 2004. Disponível em: <http://www.escola.agrarias.ufpr.br/experimentoteca8.html> Acesso em: 19 nov. 2010.

YOSHIOKA , Maria Harumi & LIMA , Marcelo Ricardo de.  Experimentoteca de solos: ph do solo. Experimentoteca de Solos – Projeto Solo na Escola – Departamento de Solos e Engenharia Agrícola da UFPR, 2005. Disponível em: <http://www.escola.agrarias.ufpr.br> Acesso em: 19 nov. 2010.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s