Paraná: Do império até os conflitos do sudoeste

 Conhecer os caminhos percorridos e ações no decurso histórico do nosso estado é antes de qualquer coisa, uma tarefa onerosa e emocionante. Das 26 vilas ou municípios nos últimos anos do império (1888) até os 399 municípios do século XXI muita coisa mudou. Por meio desta historiografia percebe-se a importância dos primeiros habitantes, as conseqüências de conflitos sangrentos, dos jogos políticos, além de ajudar a nos entendermos como participantes ativos da construção histórica paranaense.

História do Brasil é, antes de tudo, a história da formação de um povo, da transmissão de uma cultura, sobre a conquista de um território, pelo estender de uma posse contínua, e pelo contínuo adotar de uma cultura. (SANTOS, 2001. p. 85)

BREVE RELATO HISTORIOGRÁFICO

Pinheiros do Paraná. Foto: Radamés Manosso (jun. 2011). Disponível em:<http://www.flickr.com/photos/radamesm/5800495975/&gt; Acesso em10 dez. 2011

Partindo para uma breve descrição de momentos históricos no Paraná, destacamos os diversos ciclos econômicos, políticas adotadas pelos governantes locais e conflitos.

            A mineração do ouro foi o primeiro ciclo econômico do Estado e teve como principal conseqüência o povoamento do litoral paranaense e a fundação de Curitiba.  Curitiba, logo de início não teve grande desenvolvimento devido ao seu isolamento. A grande barreira natural, a Serra do Mar, que dificultava atividades comerciais com outras áreas. Assim a produção interna, na maioria das vezes abastecia apenas a região. (Produção de subsistência) O transporte rodoviário entre Curitiba e o litoral paranaense tornou-se possível apenas no século XIX com a abertura da Estrada da Graciosa.

            Em seguida destacou-se uma nova etapa no Estado marcada pelo ciclo do tropeirismo. A mineração, de certa forma, incentivou o surgimento de um novo e grande ciclo econômico.  O grande número de pessoas envolvias nos trabalhos de mineração criava dificuldades de abastecimento na região e, assim passou-se a exportar alimentos, animais de transporte e equipamentos de outras regiões do Brasil. Com essa nova estrutura sendo formada, a criação de gado ganhou espaço no território paranaense. SANTOS (2001) destacou em seu livro que já em 1658, as minas paranaenses já não eram tão significativas ao império, tanto que já se afirmava que estes “não correspondiam às expectativas do governo.”

            Ao fim da febre da mineração no litoral, as maiores riquezas existentes no litoral paranaense eram ligadas ao setor primário e de subsistência (milho, feijão, farinha, o trigo e o peixe). Enquanto  isso, mais ao interior do Paraná a economia do mate estava ganhando espaço. Esta era inicialmente incentivada pelo interesse do comércio com o Prata e, a partir de 1820 o mate tornou-se o mais importante produto de exportação paranaense. Ao fim da década de 1850, no entanto, o mate entrou em crise devido à má qualidade do produto que estava sendo adulterado com misturas.  Outro grande ciclo que se seguiu foi o ciclo da madeira. Este em conjunto com o anterior marcou a marcha para o oeste. Ainda seguindo estes contextos de ocupação e ciclos econômicos houve também diversos conflitos em diferentes partes do estado: Contestado, Questão de Palmas, A Guerra do Porecatú, Revoltas de posseiros, Questão de palmas, participação na guerra do Paraguai, etc.

ENTÃO…

            A partir destes breves relances percebe-se que no teatro histórico paranaense os inúmeros conflitos tiveram a questão agrária como grande protagonista. Partindo deste pressuposto buscamos realizar algumas considerações acerca de parte dessa história tomando como recorte geográfico a região do sudoeste paranaense. Desde o período imperial até a segunda metade do século XX o sudoeste pôde ser comparado a um imenso barril de pólvora pronto a explodir. Ali se fizeram presentes: colonizadores, grupos separatistas, grandes empresas estrangeiras, posseiros, e outros tantos que no transcorrer do século passado acabaram por delimitar as fronteiras do nosso estado.

 REFERÊNCIAS

STEICA, L. C.; FLORES, M. D.. História do Paraná: do século XVI à década de 1950. Londrina. EDUEL, 2002. p. 1-23; p.65-116

SANTOS, Carlos Rogério Antunes. Vida Material, Vida econômica. Coleção história do Paraná. Curitiba. SEED, 2001.

SERRA, E. Colonização e luta pela Terra. pg.38-41; 104-136 [editar]

WACHOWICZ, Ruy. História do Paraná. 10 ed. Curitiba: Imprensa oficial do Paraná, 2002.

Imagem: Pinheiros do Paraná. Foto: Radamés Manosso (jun. 2011). Disponível em:<http://www.flickr.com/photos/radamesm/5800495975/> Acesso em10 dez. 2011

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