O estágio na formação de professores

Breve discussão epistemológica

A partir da década de 1970, surge amplo movimento de renovação no campo geográfico. Com isso, inúmeros caminhos se resultaram para a realização de análises críticas da fundamentação teórico – metodológica da ciência geográfica e seu processo de ensino. Apesar do desenvolvimento da Geografia Crítica em nível acadêmico, podemos visualizar ainda grandes resquícios positivistas  pragmáticos nas escolas públicas do Brasil. No entanto, é visível que a realidade nacional existente exige que os profissionais “apaixonados” pelo que fazem tomem novas posturas e procurem conteúdos além dos aspectos físicos e humanos existentes.

Profissão: Professor

Uma das principais preocupações pela qual esse profissional “apaixonado” deve atentar é ao fato de que a Geografia não seja uma disciplina cansativa e que não seja motivo de raiva por parte do aluno. O conhecimento tem que ter algum valor na vida do aluno. Muitas vezes explica-se conteúdos que fogem à realidade do aluno por não serem relacionados com a vivência, o dia-a-dia do discente. A inter-relação  da teoria com a prática torna o estudo mais dinâmico, interessante e quem sabe….divertido. o professor-pesquisador deve saber instigar o aluno à curiosidade, e, ao entendimento de como estes conteúdos podem ser úteis em suas realidades.
Nesse sentido, o professor é mediador no processo de ensino, e, se a qualidade dessa mediação interfere no aprendizado do aluno com certeza o profissional tem tarefa importante a cumprir. O professor deve entender também que o ensino é um processo composto por objetivos, conteúdos e métodos e, estes componentes articulam-se numa proposta de ensino em ação.
Cavalcanti (2002) afirma que as lições da experiência dos professores de Geografia têm sido valorizadas enquanto elementos para a compreensão do ensino e de seus componentes. A partir de depoimentos de professores vêem-se barreiras, tais como: as dificuldades com certos conteúdos de Geografia, o trabalho com o material didático, especialmente o livro didático, as distintas concepções de Geografia, o distanciamento do conteúdo escolar com o cotidiano do aluno e a questão da memorização.

O Estágio…

Durante a preparação das atividades relacionadas ao estágio, uma série de aspectos devem ser pensados: que tipo de sujeito deseja-se formar? Que possibilidades o ambiente escolar proporciona? Quais conflitos podem ser explorados? Como trabalhar o conteúdo? A experiência do estágio proporciona todas estas vertentes de idéias e, as mesmas devem ser bem exploradas considerando a relação: escola X estágio X cotidiano.
A convivência do licenciado com os dilemas, desafios e compensações da realidade docente leva a reflexão das possibilidades e da busca por uma identidade profissional a ser construída. Que tipo de profissional ser? Quais caminhos metodológicos seguir? Como se relacionar com os discentes? E a ética profissional?
As horas de estágio supervisionado durante a licenciatura são extremamente importantes para se perceber o quanto o professor tem um papel essencial na estruturação de nossa sociedade. No entanto, esse período é pequeno se considerada a dinâmica da realidade escolar, assim como as metodologias passíveis de serem utilizadas em sala de aula.
Nós enquanto estagiários…
Ao conhecermos a ponta do iceberg da vivência docente criamos proximidade com o cotidiano escolar e tecemos as bases de nossa prática, porém, a vivência da prática docente em sua essência e responsabilidade é que definirá o perfil do profissional licenciado.

Referências

CAVALCANTI, Lana de Souza. Concepções teóricas e elementos da prática de ensino de geografia. In: CAVALCANTI, Lana de Souza. Geografia e Práticas de Ensino. Goiânia: Alternativa, 2002. P.11 à 27.
CORRÊA, Roberto Lobato. Região e Organização Espacial. São Paulo: Ática, 2000.
Edna Maria / Fernando/ Maria das Graças/ Neucy Helena/ Rosimeire Tânia. Plano de trabalho docente. 1º Semestre. Colégio Estadual Unidade Pólo- Ensino fundamental e Médio. 2009.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.
GASPARIM, João Luiz. Uma Didática Para a Pedagogia Histórico – crítica. São Paulo: Autores Associados, 2002.
KOZELINSKI, A. M. Plano de trabalho docente. 1º Semestre. Colégio Estadual Unidade Pólo- Ensino fundamental e Médio. 2011.
LOPES,  Claudivan Sanches.  “O professor de geografia e seus saberes profissionais: reflexões para debate.” [Palestra ocorrida em 18  de agosto de 2011]
MORAES, A.C.R. Geografia: pequena história crítica, 20a ed. São Paulo, Annablume, 2005.
PÁTARO, Ricardo Fernandes. “A questão da indisciplina no estágio curricular supervisionado: considerações sobre o cotidiano, o diálogo e a construção de valores.” [Palestra ocorrida em 20  de abril de 2011]
PPP COLÉGIO ESTADUAL UNIDADE POLO. Disponível em <http://www.diadiaeducação.pr.gov.br>.Acesso em: 29 mar.2011.

VEJA TAMBÉM

Educação Geográfica: A psicogenética e o conhecimento escolar*

Considerações sobre o texto: Concepções teóricas e elementos da prática de ensino de geografia*

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2 comentários sobre “O estágio na formação de professores

  1. Olá. Lendo esse texto lembrei de uma discussão que tivemos em sala de aula durante minha graduação, há muitos anos atrás. E o professor da disciplina de Geografia Industrial saiu com essa frase: ¨Lembrem-se, caros alunos, a Geografia não é um cadeirão de fazer diabos¨.
    Abraços.
    Augusto

    • Sr. Augusto, realmente nenhum educador quer “fazer (formar) diabos”, mas é interessante a comparação. Algo que acabei não colocando neste texto (feito ainda no terceiro ano de faculdade, antes de conhecer a realidade escolar) é que a sociedade e o estado têm papeis importantes no processo educativo que muitas vezes sobrepõe àquilo que o educador se propõe a fazer. Dessa forma, se a vivencia do aluno for um “inferno”, necessita-se muito mais do que a competência e vontade do professor em transformar um “diabo consolidado” em cidadão. Ele precisa ter boa formação, e acima de tudo ser respeitado e valorizado, coisa que ainda não ocorre com frequencia na realidade brasileira. A fuga dos cursos de licenciatura e o número de licenciados que não atuam em suas áreas é uma prova desse cenário. Abraços e obrigado pela reflexão.

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