Projeto Novo Centro de Maringá: Breves Considerações*

* Série: Um estudo da dinâmica urbana: o caso de Maringá/PR

O projeto denominado “ novo centro de Maringá” foi  iniciado na gestão do prefeito Said Ferreira (1983-1988), em 1985, ficando como responsável por sua viabilização a Urbamar ( Urbanização de Maringá S.A.). Esta empresa tinha como principal função buscar soluções para problemas urbanos causados pela localização do pátio da estação ferroviária ao centro da cidade e, juntamente com isso promover a implantação de um projeto urbanístico diferenciado para a área, assim sendo estimulando uma revitalização do centro da cidade.

Região abrangida pelo projeto do novo centro em Maringá. Fonte: Foto satélite via Google Earth, 2009.

   A área abrangida pelo novo centro é um quadrilátero que começa na Av. São Paulo seguindo horizontalmente pela Av. Piratininga, Av. Herval, Av. Duque de Caxias, Av. Basílio Saltchuk e terminando na Av. Paraná. E verticalmente inicia-se na Av. João Paulino Filho, Av. Horácio Raccanelo e terminando na Av. Tamandaré. As vias do Novo Centro estão todas concretizadas, a linha férrea foi para o sub-solo, os fios e transformadores foram instaladas em galerias subterrâneas, os semáforos para autos e para pedestres tem visual exclusivo, assim como seus postes de iluminação sem fios aéreos. Com toda essa infra estrutura, a região tem atraído cada vez mais as construtoras, e hoje toda a área é um verdadeiro canteiro de obras. No ritmo atual, com certeza em menos de 10 anos toda a área vai estar edificada. A cada ano que se passa os terrenos vão ficando escassos, trazendo assim a super valorização dos imóveis. A oportunidade de poder comprar um bom imóvel neste local é quase que única, pois a cada ano os preços disparam. O Novo Centro é a região que mais se valoriza na cidade, com isso também se junta a questão da especulação imobiliária. No trajeto percorrido por nós, por exemplo, encontramos ampla área desocupada esperando por valorização.

GRZEGORCZYKL (2006), explica que Maringá foi bastante corajosa na construção desta obra, que não serviu apenas para corrigir problemas momentaneamente porém afirma que problemas poderiam ter sido evitados se houvesse planejamento e participação popular na execução das obras. A obra trouxe ambiente bastante adequado para a instalação de comércios e serviços especializados.
A estrutura da área central tem algumas características visuais bastante peculiares:
→ A não presença de árvores ao entorno do terminal ocorre devido a presença de um túnel para a passagem de trens de carga. Porém a prefeitura já busca formas de esverdear a área.
→ Os cruzamentos do Novo Centro foram revertidos em paver (peças pré-moldadas de concreto).
→A Avenida Horácio Racanello Filho possui postes modernos e não tem fiação aérea, fazendo aquilo que já foi afirmado neste relatório, vender uma imagem de modernidade.
A título de curiosidade cabe destacar que  na visão de GRZEGORCZYK (2006), a obra do novo centro não teve planejamento de longo prazo e faltou uma participação mais efetiva dos diversos segmentos da sociedade. Apesar disso a obra não foi paralisada em nenhuma das administrações públicas posteriores.
Porém outros autores afirmam que há muita publicidade em cima da construção de uma nova imagem urbana. ANDRADE & CORDOVIL (2008) afirmam que o projeto do novo centro e alguns outros recentes segue uma orientação tecnocrática onde se ignora a participação popular. Além disso, as mudanças são esclarecidas, pois não há diálogo e, portanto, desconsideram-se as reais necessidades da população. A publicidade assume um papel preponderante, propagando a ideologia voltada para o sucesso empresarial, construindo uma cidade baseada na promoção imobiliária.  E por detrás deste discurso entra em ação o promotor imobiliário, proprietários fundiários e os proprietários dos meios de produção, a partir da intervenção do Estado. Enquanto o Estado fica com o trabalho ‘mais pesado’, os agentes sociais – na maioria das vezes vinculados ao Estado, com a finalidade de ter suas regalias atendidas – adquirem os maiores benefícios. Com o investimento por parte do Estado, os terrenos do novo centro  supervalorizaram-se de tal maneira que hoje é possível dizer que é a região que mais se valoriza na cidade de Maringá.
O novo centro e os grupos sociais – A partir disso cabe uma pergunta: onde ficam os grupos sociais excluídos neste jogo? Certamente os espaços criados neste centro não são acessíveis para essa classe de pessoas que, conseqüentemente são empurradas para áreas periféricas da cidade.
Com toda esta discussão elaborada pode-se ver a questão da importância dos atores sociais na construção do espaço urbano. Ficou claro também a necessidade do Estado de apoiar os interesses das classes dominantes e trabalhar juntamente com a imprensa como instrumento de transmissão de ideologias que beneficiem principalmente as classes mais abastadas a ponto de esquecerem da importância da própria história em prol da modernidade capitalista.

* Escrito originalmente por Jonas H. M. de Lima e Tiago A. M. Mendes em 2009.

REFERÊNCIAS 

ANDRADE, Carlos Roberto Monteiro de & CORDOVIL,  Fabíola Castelo de Souza.   A cidade de Maringá, pr. O plano inicial e as “requalificações urbanas”. Scripta Nova  REVISTA ELECTRÓNICA DE GEOGRAFÍA Y CIENCIAS S    OCIALES. Vol. XII, núm. 270 (53) Disponível em: <LINK> acesso em: 25 nov. 2009.

CORRÊA, Roberto Lobato. O espaço urbano. Ática, 1989.

BOEIRA, José Jair. UEM 2003. Espaço urbano de uma metrópole regional de porte médio: Maringá. Disponível em: <LINK> Acesso em: 25 nov. 2009.

Como andam Curitiba e Maringá / organizadoras Rosa Moura, Ana Lúcia Rodrigues. – Rio de  Janeiro: Letra Capital: Observatório das Metrópoles, 2009. Disponível em: <LINK> Acesso em 27 nov. 2009.

GRZEGORCZYK, Vanderlei. Novo centro de Maringá: estratégias e conflitos na produção do espaço urbano. In: MENDES, Cesar Miranda & SCHMIDT, Lizandro Pezzi (org.) A dinâmica do espaço urbano regional: pesquisas no norte- central paranaense., Guarapuava, UNICENTRO, 2006.

PICOLI ,Samira Soledad Gongora & BORGES,  Leonir.  Maringá: a cidade rotulada como “cidade verde.” Revista em Agronegócio e Meio Ambiente, Vol. 1, No 1 (2008) <LINK> acesso em: 22 nov. 09.

RODRIGUES,  Ana Lúcia; MOTA, Adeir Archanjo da & HAYASHI,  Ana Paula. A estruturação sócio-ocupacional do território da Região Metropolitana de Maringá – 1991 a 2000. Anais do XVI Encontro Nacional de Estudos Populacionais  As Desigualdades Sócio-Demográficas e os Direitos Humanos no Brasil. Abep,  2008. Disponível em: <LINK> Acesso em: 25 nov. 2009. 

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