Os problemas urbanos são culpa da falta de planejamento! Será mesmo?

Se ele é o todo poderoso, por que não é usado para resolver todos os problemas urbanos? Brasília não tem quaisquer problemas urbanos? Existe pobreza por falta de planejamento, ou por falta de investimentos?

O renomado Arquiteto e Urbanista Flavio Villaça* vai além e afirma existir muito mais do que a simples falta de planejamento. Mas, já que temos que procurar algum culpado…culpa da falta de planejamento! cadê meus 10%? CADÊ O PLANO DIRETOR? Planos podem ser bons e fazer alguma falta, mas só eles não bastam!

Primeiro plano diretor de Maringá década de 40. Foto: MENDES, Antônio Madeira. 2009

O que são problemas urbanos?

Poderia fazer um texto somente sobre os problemas urbanos, mas vou citar apenas os mais comuns: a falta de saneamento básico, insegurança, falta de saúde e educação gratuita e de qualidade, desemprego, exclusão social, falta de habitação de qualidade, falta de arborização e áreas de lazer, transporte público precário, poluição sonora, visual e ambiental,….

O que está por detrás da falta de planejamento?

A corrupção, o casamento entre o capital e o Estado e os conflitos de interesses entre as classes dominantes e as dominadas criam entraves para que se exista o mínimo de equiparidade nas condições de vida da sociedade. Aliado a isso temos representantes eleitos pela população que trabalham daquele jeito! Mas como esconder tudo isso? talvez a criação de ideologias. Afinal, Faltou planejamento! Pelo menos é isso que a mídia tenta nos fazer empurrar goela abaixo. Note que falta planejamento principalmente nas áreas mais pobres das cidades. Será que os bairros de média e alta renda são planejados?

O planejamento no decurso histórico

Villaça (2000) traça sua discussão argumentando sobre os planos, suas variações no decurso histórico e seu uso como resposta aos problemas reais. Villaça (2000) demonstra que os planos foram perdendo sua força de ação na medida em que as classes dominantes foram perdendo seu domínio sobre as classes dominadas. Prova disso é que “os planos das décadas de 1930 e 1940 eram mais aplicados que os de hoje [e] não [precisavam] aprovados por lei”. (VILLAÇA, p.6, inclusão nossa). As classes dominantes exerciam seu poder através do “convencimento […] e da liderança” (VILLAÇA, p.6) sobre os dominados. Os dominados tinham orgulho de seus líderes.

Villaça aponta que o zoneamento e loteamento são vistos separadamente e tem sido amplamente utilizados muito antes da importação destes planos caracterizados, em sua essência, por serem extensos livros técnicos com figurinhas coloridas e alguns mapas cheios de legendas, mas puramente inúteis e ocultos aos olhos da população.

Se são inúteis, por que planejar então?

Percebe-se que Villaça (2000) em sua crítica não quer demonizar o planejamento e suas variáveis, até por que, segundo ele, se esses planos fossem viáveis de serem utilizados serviriam para “racionalizar e otimizar os investimentos”. O problema é que tais planos são demasiadamente técnicos e não despertam quaisquer interesses na “maioria da população, dos excluídos e dos políticos” (VILLAÇA, p.12) acabando por serem úteis igual a apagar um incêndio com copinhos de café! O fato é que, corroborando com Villaça, a mudança não deve ocorrer de cima para baixo, pois se os de baixo não concordarem… Nada feito! Somos a maioria! A mudança deve iniciar das bases para cima, de forma que os interesses da maioria possam ser satisfeitos, afinal a cidade é de todos e para todos!

 * Referência e dica de leitura: VILLAÇA, Flávio. Perspectivas do Planejamento urbano no Brasil de hoje. Campo Grande, junho de 2000. Acesso em: 13 mar. 2012.

 Concorda? Discorda? Tem alguma interpretação diferente? Contribua com sua opinião.

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