Sistematização e desenvolvimento da Geografia

A organização da bagunça: a Sistematização

A sistematização da Geografia, ou seja a organização de todo conhecimento geográfico  existente até então, teve inicio em meados do século XIX, com Humboldt e Ritter. A partir dessa organização, surgiu o que alguns autores denominam correntes de pensamento geográfico (denominações atribuídas a um conjunto de práticas teóricas, empíricas e políticas que constituem uma unidade de pensamento). Destacam-se o Determinismo Ambiental, o Possibilismo, o Método Regional, a Nova Geografia e a Geografia Crítica, sendo que as duas últimas representam uma fuga à Geografia tradicional. Segundo CORREA (2000) cada uma delas com suas práticas teóricas, empíricas e políticas, seguindo uma seqüência histórica predomina e, ou coexiste com outras correntes.

Pesquisa: Conceitos básicos da Geografia

As correntes do pensamento geográfico

A Natureza determina…

O Determinismo Ambiental foi o primeiro paradigma a caracterizar a geografia que emerge no final do século XIX. Teve como principal personagem o alemão Friedrich Ratzel. Seus defensores afirmam que as condições naturais determinam o comportamento do homem, interferindo na sua capacidade de progredir. Segundo CORREA (2000) essa interpretação de “determinação acabou servindo como ferramenta para ocultar uma ideologia das classes dominantes. Ratzel criou conceitos como: espaço vital, região natural, fator geográfico e condição geográfica.

… fornece possibilidades

Ao fim do século XIX, em reação ao determinismo geográfico surge na França, o Possibilismo. Ele procurou abolir a ideia de qualquer forma de determinação natural, adotando a idéia de que a ação humana é marcada pela contingência. A natureza era considerada como fornecedora de possibilidades para que o homem a modificasse. Teve como precursor Paul Vidal de La Blache.

Quais as diferenças entre as escolas Determinista e Possibilista?

…diferencia áreas para descrevê-las

Método RegionalO terceiro paradigma da geografia é o Método Regional que vem contrário ao Possibilismo e ao Determinismo. Nele, a diferenciação de áreas é vista através da integração de fenômenos heterogêneos em uma dada porção da superfície da Terra. Focalizando assim o estudo de áreas e atribuindo à diferenciação como objeto de geografia. A partir dos anos 40 essa corrente ganha importância com raízes em Alfred Hettner e Hartshorne.

Muda a realidade…Muda a Geografia

Avenida paulista. Foto: Wagner T. Cassimiro

Avenida Paulista. Foto:Wagner T. Cassimiro “Aranha”, disponível em:<flickr.com photos=”” 38469672@n00=”” 3440236302=””>

Após a 2.a Guerra Mundial, verifica-se uma nova fase de expansão capitalista, e conseqüentemente a geografia perde a capacidade de explicar a complexa realidade redesenhada. Surge então um novo paradigma, a Nova Geografia com o objetivo de justificar a expansão capitalista, assim como dar esperanças aos “deserdados da terra”. Para tais tarefas utiliza com método o positivismo lógico (Neopositivismo), utilizando-se para isso de técnicas estatísticas, computadores e satélites.

Durante a década de 1970 e 1980, o conhecimento geográfico passa por novas transformações. Surge um novo paradigma em oposição aos anteriores e também com intenção de participar de um processo de transformação da sociedade, esta denominada Geografia Crítica. Esse paradigma repensa a questão da organização espacial, herdada basicamente da Nova Geografia. Trata-se, no caso, de ir além da descrição de padrões espaciais, procurando-se ver as relações dialéticas entre formas espaciais e os processos históricos que modelam os grupos sociais.

E hoje?

O mundo não para. Revoluções científicas, sociais e tecnológicas ocorrem a todo o momento em um mundo cada vez mais conectado. Escapar às amarras de pertencer exclusivamente a esta ou aquela corrente de pensamento é importante, uma vez que todas têm sua importância e fornecem meios para colaborar com a melhoria da qualidade socioespacial.


Faltou abordar algo? Tem alguma sugestão a fazer para que melhoremos o conteúdo deste texto? Como você vê o desenvolvimento da Geografia? Dê a sua opinião.

Referências

CORRÊA, Roberto Lobato. Região e Organização Espacial. São Paulo: Ática, 2000.MORAES, A.C.R. Geografia: pequena história crítica, 20a ed. São Paulo, Annablume, 2005.COSTA, Fábio Rodrigues da; ROCHA, Márcio Mendes. Geografia: Conceitos e paradigmas – apontamentos preliminares.Revista Geomae. V.1 N. 2, p 25-56, Jun-dez, 2010.CARVALHO, Gisélia Lima. Região: A Evolução de uma Categoria de Análise da Geografia. Boletim Goiano de Geografia, volume 22, n° 01, jan./jun. de 2002.

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3 comentários sobre “Sistematização e desenvolvimento da Geografia

  1. Muito obrigado, acho deviam especificar as teses de cada corrente, uma vez que nem sempre os artigos sao lido por pessoas que lidam com a materia.

    • Obrigado pela dica Feliciano. Em breve tentaremos melhorar o texto ou pelo menos linkar algum outro relacionado a esse (neste blog ou em outros endereços na internet) pra ficar mais fácil poder entender o que foram essas correntes de pensamento geográfico.

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